Imposto de importação de 35% e o mercado de veículos elétricos e híbridos no Brasil 

O cronograma de transição tributária para veículos elétricos e híbridos importados chega ao fim no Brasil, com a aplicação da […]

O cronograma de transição tributária para veículos elétricos e híbridos importados chega ao fim no Brasil, com a aplicação da alíquota cheia do Imposto de Importação (II) de 35% para veículos completamente montados (CBU).

A Logcomex.ai cruzou essa mudança regulatória com informações oficiais referentes ao primeiro semestre (janeiro a junho) de 2024, 2025 e 2026 para medir o impacto real no fluxo de importações.

O cenário é de forte antecipação de estoques: as importações totais do segmento cresceram 126,89% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, movimentando mais de US$6,18 bilhões.

O movimento sugere uma corrida das montadoras para nacionalizar veículos antes do fechamento definitivo da janela tarifária.

Ambiente regulatório: o fim da transição tarifária 

O mercado brasileiro de eletromobilidade encerra o ciclo de transição tarifária iniciado em janeiro de 2024, dentro das diretrizes do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação).

A partir de agora, a alíquota deixa de ser uma perspectiva de médio prazo e passa a impactar o custo desembarcado das operações de forma imediata.

O aumento para 35% exige das tradings e montadoras mais rigor na gestão aduaneira. Atrasos no desembaraço ou erros na classificação fiscal (NCM) resultam em custos adicionais sobre uma base de cálculo já mais alta com o novo imposto.

Em paralelo, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-MDIC) decidiu, em 23 de junho de 2026, renovar por seis meses uma cota com isenção tarifária de aproximadamente US$463 milhões, mas restrita a partes, peças e conjuntos desmontados ou semimontados (CKD e SKD). 

Veículos completamente montados (CBU) ficaram de fora dessa cota e passam a recolher os 35% integrais a partir de julho de 2026.

Essa exclusão gerou forte reação de entidades como a Anfavea, que defendiam o fim total de qualquer benefício fiscal para conter o avanço das marcas entrantes.

Na prática, a medida cria uma bifurcação estratégica: a importação pura de veículos elétricos em faixas de entrada perde viabilidade econômica, o que tende a acelerar os cronogramas de produção fabril local das montadoras chinesas no país.

Importações de veículos elétricos e híbridos (Jan a Jun)

A seguir, confira as informações sobre as importações de veículos elétricos e híbridos no acumulado de 2024 a 2026 – Janeiro a Junho.  

Os dados mostram que o mercado não desacelerou diante do imposto crescente. Pelo contrário: o primeiro semestre de 2026 teve o maior volume de embarques já registrado no segmento.

Código NCMCategoriaJan-Jun 2024 (US$)Jan-Jun 2025 (US$)Jan-Jun 2026 (US$)Variação 25-26
8703.40.00Híbridos convencionais (HEV) – Centelha503,3 MI455,5 MI985,6 MI+116,40%
8703.50.00Híbridos convencionais (HEV) – Compressão62 MI41,1 MI71,2 MI+73,07%
8703.60.00Híbridos Plug-in (PHEV) – Centelha1,53 BI1,66 BI3,02 BI+82,58%
8703.80.00Veículos elétricos puros (BEV)1,35 BI572,6 MI2,01 BI+267,21%
TotalConsolidado do segmento3,45 BI2,72 BI6,18 BI+126,89%
Fonte: ComexStat

De acordo com a Logcomex.ai, os destaques por categoria são:

Veículos elétricos puros (BEV)

A categoria mais sensível às mudanças regulatórias. Depois de uma contração de -57,70% entre 2024 e 2025, reflexo do primeiro impacto das alíquotas e do ajuste de estoques, o segmento teve uma expansão de 267,21% no primeiro semestre de 2026, o maior indicador de estocagem preventiva do período analisado.

Veículos elétricos híbridos plug-in (PHEV)

Mantiveram crescimento linear e sustentado, consolidando-se como a categoria de maior peso financeiro. Em 2026, os PHEVs somaram US$3,02 bilhões no primeiro semestre, quase metade de todo o capital investido em importações do segmento.

Veículos híbridos convencionais (HEV)

O volume faturado dobrou em 2026 (+116,40%), sinalizando que marcas buscam uma transição menos disruptiva que a dos modelos totalmente elétricos. 

A dominância chinesa no fluxo de importação

O avanço das montadoras chinesas mudou de forma estrutural os canais de suprimento do Brasil para o segmento. 

AnoVolume importado da ChinaParticipação no total do segmento
2024US$2,54 bilhões73,61%
2025US$2,02 bilhões74,32%
2026US$5,35 bilhões86,58%
Fonte: ComexStat

A análise sugere que a China foi a origem com maior capacidade de resposta elástica à demanda por estocagem em larga escala. 

Enquanto outras origens mantiveram fluxos estáveis ou marginais, as marcas chinesas injetaram mais de US$5,35 bilhões em mercadorias nos portos nacionais no primeiro semestre de 2026, alcançando 86,58% do fluxo de comércio de eletrificados.

Essa concentração ajuda a explicar a pressão da Anfavea sobre o MDIC: montadoras instaladas historicamente no Brasil têm cadeias de suprimento mais fragmentadas e enfrentam dificuldade para competir com a estrutura verticalizada dos players asiáticos, que controlam etapas desde a extração do lítio até a fabricação das células de bateria.

O que muda na prática para o setor

O segundo semestre de 2026 exige revisão do planejamento para empresas com frotas, operações na cadeia de suprimentos ou atuação direta no setor de mobilidade. A era do veículo elétrico importado com isenção tarifária ampla está encerrada no Brasil. 

FAQ

Qual é a nova alíquota de importação para veículos elétricos e híbridos no Brasil? 

A alíquota do Imposto de Importação (II) chega a 35% para veículos elétricos e híbridos completamente montados (CBU), conforme o cronograma de recomposição tarifária definido pelo governo federal.

O que muda com a decisão do Gecex de junho de 2026?

O Gecex renovou por seis meses, a partir de julho de 2026, uma cota de importação com isenção tarifária de US$463 milhões, mas restrita a peças e conjuntos desmontados ou semimontados (CKD e SKD). Veículos CBU não entram nessa cota.

Por que as importações de elétricos e híbridos cresceram tanto em 2026? 

Os números mostram um crescimento de 126,89% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, um movimento associado à antecipação de estoques antes do fim da janela tarifária mais baixa

Como a Logcomex.ai ajuda empresas do setor automotivo nesse cenário?

A Logcomex.ai — Inteligência Artificial do Comércio Exterior acompanha a classificação fiscal (NCM), cotas de importação e desembaraço aduaneiro em tempo real, ajudando tradings e montadoras a reduzir custo e risco na operação.


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