O primeiro bimestre de 2026 sugeriu um cenário de crescimento assimétrico no setor de bens de capital.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) indicam que, em janeiro de 2026, a receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos recuou 17% em relação a janeiro de 2025.
Ao mesmo tempo, estatísticas da Anfavea apontam forte avanço das importações de máquinas agrícolas e de construção nos últimos anos, com destaque para equipamentos de maior porte, movimento já identificado em estudos da Anfavea sobre o triplo de unidades importadas entre 2020 e 2024.
Este fenômeno é consistente com uma concentração de investimento em ativos de longo prazo, provavelmente impulsionada pela necessidade de modernização tecnológica e pela percepção de riscos geopolíticos que podem comprometer as cadeias de suprimentos ao longo do ano.
O comércio exterior brasileiro em 2026 vem sendo impactado por dois vetores externos de alta magnitude que reconfiguram o custo do Capex (investimento em capital fixo).
O redesenho tarifário proposto pela atual administração norte‑americana, com tarifa global de 15% em 2026 alterou o fluxo comercial.
O Brasil deixa de figurar como um dos alvos mais penalizados por sobretaxas de até 50% e se aproxima de uma condição de maior simetria competitiva com outros players globais no mercado norte‑americano.
A queda na tarifa média efetiva sobre produtos brasileiros em 13,6 pontos percentuais tende a tornar as máquinas de origem nos EUA (como colheitadeiras e dumpers) mais competitivas, o que ajuda a explicar o crescimento de quase 100% observado em nichos específicos de alta tecnologia.
A crise no Estreito de Ormuz impôs um “pedágio logístico” severo. O desvio pelo Cabo da Boa Esperança tem adicionado, em estimativas recentes, cerca de 12 a 15 dias ao transit time das mercadorias vindas da Ásia e Europa.
Além do atraso, observa-se um aumento direto no custo do frete (Bunker Surcharge) e nos prêmios de seguro marítimo.
Para o importador brasileiro, isso se traduz no encarecimento do custo CIF e maior pressão sobre o capital de giro, devido ao aumento do tempo de mercadorias em trânsito.
A análise a seguir refere-se aos meses de janeiro e fevereiro de 2026 e 2025. Os dados consolidados refletem uma priorização clara de ativos que sustentam a infraestrutura portuária e a mineração de grande porte:
| Fabricação de máquinas de uso geral | |||||
| NCM | Descrição | FOB 2026 | FOB 2025 | Variação % 2026 vs 2025 | País exportador |
| 84159090 | Outras unidades de ar condicionado | US$ 98,4 MI | US$127,5 MI | -23% | China |
| 84224090 | Outras máquinas e aparelhos para empacotar/embalar mercadorias | US$ 39,7 MI | – | – | Suécia |
| 84261200 | Pórticos móveis de pneumáticos e carros-pórticos | US$ 37,6 MI | US$ 3,6 MI | +930% | China |
| 84272090 | Outros veículos para movimentar carga, autopropulsados | US$ 34,6 MI | US$ 39,9 MI | -13% | China |
| 84263000 | Guindastes de pórtico | US$ 36 MI | – | – | China |
| Fabricação de máquinas para fins especiais | |||||
| NCM | Descrição | FOB 2026 (jan e fev) | FOB 2025 (Jan e fev) | Variação % 2026 vs 2025 | País exportador |
| 84295219 | Outras escavadoras, cuja superestrutura é capaz de efetuar uma rotação de 360° | US$50 MI | US$22,8 MI | +101% | China |
| 84335919 | Outras colheitadeiras de algodão | US$ 42,2 MI | US$ 21,5 MI | +96% | EUA |
| 84798999 | Outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria | US$ 39,2 MI | US$ 42 MI | -7% | China |
| 84314929 | Outras partes de máquinas e aparelhos de terraplanagem etc | US$ 38,3 MI | US$ 45,4 MI | -16% | China |
| 87041010 | Dumpers para transporte de mercadoria >= 85 toneladas, utilizado fora de rodovias | US$ 36,7 MI | US$7,3 MI | +402% | EUA |
De acordo com a Logcomex, o salto em NCMs como Pórticos (+930%) e Dumpers (+402%) sugere que grandes operadores logísticos e mineradoras estão em fase de execução intensiva de projetos com nacionalização antecipada.
Ou seja, as empresas preferem absorver o custo financeiro do estoque agora para evitar a paralisia de projetos por falta de equipamentos críticos no futuro.
Em contrapartida, a queda em partes de reposição (-16%) sugere que uma parcela do mercado médio pode estar postergando manutenções preventivas, em um contexto de alto custo do crédito interno.
Diante da complexidade logística e tarifária de 2026, a utilização de soluções tecnológicas como as da Logcomex torna-se um diferencial crítico para a gestão do Supply Chain.
Com o redirecionamento das rotas asiáticas via Cabo da Boa Esperança, a previsibilidade do lead time foi severamente comprometida.
O uso de ferramentas de rastreamento avançado, como a da Logcomex, permite que gestores de importação monitorem a localização exata de ativos críticos (como as escavadeiras da NCM 8429.52.19).
Isso possibilita o ajuste em tempo real dos cronogramas de montagem e o acionamento antecipado de transportadores nacionais, contribuindo para mitigar custos de armazenagem portuária.
A flutuação tarifária nos EUA e as isenções do Gecex exigem uma vigilância constante sobre a classificação fiscal e a origem das mercadorias.
Através das soluções da Logcomex com inteligência artificial, as empresas podem analisar o comportamento de importação dos concorrentes e identificar novos fornecedores em regiões menos afetadas por gargalos geopolíticos.
Além disso, a automação na verificação de NCMs e o monitoramento de Ex-tarifários aumentam as chances de a empresa aproveitar reduções de alíquotas de importação para máquinas de fins especiais, ajudando a compensar o aumento do frete internacional.
O cenário para o restante de 2026 exige uma gestão rigorosa de variáveis financeiras e logísticas.
A aversão ao risco global fortalece o dólar, o que encarece o Capex importado mesmo quando os preços FOB são estáveis.
Com juros internos elevados, o erro no cálculo de tempo de entrega (lead time) torna-se financeiramente proibitivo, onerando o custo de oportunidade do capital imobilizado.
Observa-se um movimento de diversificação geográfica.
A dependência excessiva da origem China para máquinas de movimentação de carga começa a ser mitigada por compras estratégicas na Europa (como as máquinas suecas da NCM 8422.40.90) e EUA, visando maior previsibilidade de entrega em rotas menos afetadas por conflitos geopolíticos.
Para manter a competitividade e a execução dos projetos em 2026, recomenda-se:
O sucesso em 2026 depende da resiliência logística. Enquanto a infraestrutura pesada acelera, a manutenção retrai – um risco operacional elevado.
A competitividade será ditada pela agilidade em alternar rotas e origens, utilizando a tecnologia Logcomex como escudo contra as incertezas globais.