Enquanto a Copa do Mundo 2026 distribui as seleções pelos grupos, o comércio exterior do Brasil costura com oito desses países uma relação que não se decide em 90 minutos. Este relatório toma as nações dos Grupos I e J do torneio (Argentina, França, Argélia, Noruega, Áustria, Iraque, Jordânia e Senegal) como recorte para analisar a balança comercial bilateral com o Brasil.
A análise concentra-se nos valores acumulados dos primeiros 5 meses do ano (Janeiro a maio) de 2026 vs. mesmo período de 2025, com foco em assimetrias comerciais, complementaridades econômicas e na evolução das principais posições tarifárias por NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul).
O comércio do Brasil com este grupo movimentou uma corrente de comércio agregada de mais de US$18 bilhões entre janeiro e maio de 2026, retração de 11,0% ante os US$ 20,84 bilhões do mesmo período de 2025.
A queda foi puxada principalmente pela retração nas exportações de commodities de alto volume e pela reacomodação de preços internacionais, apesar do crescimento expressivo em mercados específicos do Oriente Médio e do Norte da África.
A balança comercial consolidada do Brasil frente a este bloco manteve-se superavitária de janeiro a maio de 2026, com saldo positivo de US$1,53 bilhão.
Embora robusto, o resultado representa contração ante o superávit de US$ 2,10 bilhões verificado no mesmo intervalo de 2025, evidenciando pressões nas margens de exportação e o avanço da pauta de manufaturados e insumos importados de maior valor agregado.
| País | Export. 2025 | Import. 2025 | Export. 2026 | Import. 2026 | Saldo 2026 | Var. corrente |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Argentina | US$ 7,50 bi | US$ 5,07 bi | US$ 6,03 bi | US$ 5,12 bi | US$ 912,0 mi | -11,3% |
| França | US$ 1,29 bi | US$ 2,78 bi | US$ 1,51 bi | US$ 2,13 bi | US$ -616,2 mi | -10,8% |
| Argélia | US$ 927,5 mi | US$ 594,2 mi | US$ 1,13 bi | US$ 293,4 mi | US$ 831,7 mi | -6,8% |
| Noruega | US$ 712,5 mi | US$ 306,9 mi | US$ 504,9 mi | US$ 369,4 mi | US$ 135,5 mi | -14,2% |
| Áustria | US$ 63,7 mi | US$ 595,7 mi | US$ 40,2 mi | US$ 581,1 mi | US$ -540,9 mi | -5,8% |
| Iraque | US$ 635,4 mi | US$ 408,9 mil | US$ 439,7 mi | US$ 6,4 mi | US$ 433,3 mi | -29,8% |
| Jordânia | US$ 181,4 mi | US$ 13,5 mi | US$ 254,1 mi | US$ 19,2 mi | US$ 234,8 mi | +40,3% |
| Senegal | US$ 158,0 mi | US$ 6,5 mi | US$ 142,2 mi | US$ 1,8 mi | US$ 140,4 mi | -12,4% |
A Argentina permanece como o principal parceiro comercial do Brasil neste grupo, embora sua corrente total tenha recuado de US$12,57 bilhões para US$11,14 bilhões.
O fluxo é caracterizado por profunda integração intraindustrial no setor automotivo, mas o recuo de 19,6% nas exportações brasileiras acende um sinal de alerta sobre o nível de atividade econômica local e a necessidade de readequação de portfólio para veículos híbridos e elétricos.
A relação com França e Áustria expõe a dependência brasileira de bens de capital e biotecnologia europeus.
O déficit com a França recuou de forma expressiva, de US$1,49 bilhão para US$616,2 milhões, impulsionado por um salto nas exportações brasileiras de óleos brutos de petróleo.
Com a Áustria, o saldo negativo crônico de US$540,9 milhões reflete importações constantes de insumos farmacêuticos e maquinários avançados.
Este eixo demonstra o papel do Brasil como garantidor da segurança alimentar no Norte da África e no Oriente Médio, por meio do fornecimento de açúcar, soja, milho e carnes. Em contrapartida, as relações com Argélia e Iraque são sensíveis às flutuações de preços dos hidrocarbonetos (petróleo bruto e derivados) e fertilizantes (ureia), que balizam o custo desembarcado dos insumos agrícolas.
A Noruega configura um parceiro estratégico de suprimento industrial: o Brasil exporta alumina calcinada para a metalurgia norueguesa e importa adubos químicos essenciais ao agronegócio nacional.
O Senegal apresenta comportamento semelhante, atuando como destino de excedentes agrícolas brasileiros e fornecedor de minérios metálicos de nicho, como zirconita e titânio.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 5 bi | US$ 5,1 bi | +0,9% |
| Exportações | US$ 7,5 bi | US$ 6,0 bi | -19,6% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 8703.22.10 | Automóveis a explosão, 1.000 a 1.500 cm³ | 591,3 mi | 472,3 mi | -20,1% |
| 8703.21.00 | Automóveis a explosão, até 1.000 cm³ | 449,5 mi | 262,3 mi | -41,6% |
| 8703.40.00 | Veículos híbridos e elétricos | 47,8 mi | 241,2 mi | +404,9% |
| 8703.23.10 | Automóveis a explosão, 1.500 a 3.000 cm³ | 458,9 mi | 204 mi | -55,5% |
| 8704.31.90 | Veículos de carga a explosão ≤ 5t | 218 mi | 167,1 mi | -23,3% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 8704.21.90 | Veículos diesel para carga ≤ 5t (picapes) | 1 bi | 1,17 bi | +12,3% |
| 1001.99.00 | Outros trigos e misturas com centeio | 523 mi | 373,2 mi | -28,6% |
| 8703.33.90 | Automóveis a diesel, cilindrada > 2.500 cm³ | 224,9 mi | 235,9 mi | +4,9% |
| 8703.21.00 | Automóveis a explosão, até 1.000 cm³ | 233,1 mi | 168,3 mi | -27,8% |
| 0402.21.10 | Leite integral em pó, sem adição de açúcar | 104,9 mi | 129,9 mi | +23,8% |
O fluxo automotivo bilateral revela uma transição industrial. Enquanto os modelos convencionais a combustão registraram quedas severas, com destaque para a contração de 41,6% na NCM 8703.21.00, as exportações brasileiras de veículos híbridos e elétricos (NCM 8703.40.00) saltaram 404,9%, indicando uma reconfiguração da demanda do mercado vizinho para maior valor tecnológico.
No sentido inverso, as importações brasileiras continuam ancoradas no fornecimento de picapes diesel (NCM 8704.21.90), que cresceu 12,3% e superou US$ 1,17 bilhão, evidenciando uma complementaridade intraindustrial consolidada, em que o Brasil foca no segmento de passeio e a Argentina nos comerciais leves. No agronegócio, o decréscimo de 28,6% nas compras de trigo foi compensado pelo avanço de 23,8% na aquisição de leite em pó.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 594,2 mi | US$ 293,3 mi | -50,6% |
| Exportações | US$ 927,5 mi | US$ 1,12 bi | +21,3% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 1201.90.00 | Soja, mesmo triturada, exceto para semeadura | 202,6 mi | 332,5 mi | +64,1% |
| 1701.14.00 | Outros açúcares de cana em bruto | 291,1 mi | 287 mi | -1,4% |
| 1005.90.10 | Milho em grão, exceto para semeadura | 79 mi | 122,4 mi | +55,0% |
| 2601.11.00 | Minérios de ferro não aglomerados | 45,7 mi | 111,4 mi | +143,5% |
| 1507.10.00 | Óleo de soja em bruto, mesmo degomado | 33,7 mi | 79,2 mi | +134,8% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | 296 mi | 226,4 mi | -23,5% |
| 3102.10.10 | Ureia, mesmo em solução aquosa | 81,4 mi | 59,9 mi | -26,5% |
| 2804.29.10 | Hélio líquido (gases raros) | 5 mi | 3,1 mi | -38,2% |
| 2510.20.10 | Fosfatos de cálcio naturais moídos | 5,4 mi | 2,6 mi | -51,3% |
| 2510.10.10 | Fosfatos de cálcio naturais não moídos | 3,5 mi | 1 mi | -71,1% |
O intercâmbio com a Argélia evidencia a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico do complexo agroindustrial e siderúrgico norte-africano.
A forte elevação nas vendas de soja em grão (+64,1%) e milho (+55,0%) reflete o atendimento à demanda argelina por ração animal, enquanto a industrialização local estimulou um avanço de 134,8% no óleo de soja em bruto e de 143,5% no minério de ferro não aglomerado.
As importações oriundas da Argélia apresentaram retração generalizada, com destaque para as quedas em óleos brutos de petróleo (-23,5%) e ureia (-26,5%).
O movimento aponta para reacomodação de preços globais de energéticos e fertilizantes nitrogenados, reduzindo o custo desembarcado desses insumos críticos para o agronegócio brasileiro.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 595,7 mi | US$ 581 mi | -2,5% |
| Exportações | US$ 63,6 mi | US$ 40 mi | -36,9% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2601.11.00 | Minérios de ferro não aglomerados | 16,6 mi | 5,8 mi | -64,6% |
| 2009.11.00 | Suco de laranja não fermentado, congelado | 1,2 mi | 4,8 mi | +282,6% |
| 8101.97.00 | Desperdícios e resíduos de tungstênio | 613,7 mil | 3,1 mi | +410,6% |
| 2825.90.90 | Óxidos, hidróxidos e peróxidos de outros metais | 790,8 mil | 2 mi | +155,2% |
| 9032.89.90 | Outros instrumentos automáticos de regulação | 1,6 mi | 1,8 mi | +16,8% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2202.99.00 | Outras bebidas não alcoólicas (bases concentradas) | 81 mi | 62,8 mi | -22,5% |
| 3002.15.90 | Produtos imunológicos para venda a retalho | 80,7 mi | 29,8 mi | -63,0% |
| 3004.39.29 | Medicamentos com outros hormônios polipeptídicos | 12,1 mi | 29,7 mi | +145,9% |
| 3002.12.39 | Outras frações do sangue como medicamentos | 27,6 mi | 23,3 mi | -15,6% |
| 8807.30.00 | Outras partes de aviões ou helicópteros | 18 mi | 20,8 mi | +15,8% |
A relação com a Áustria caracteriza-se pelo forte peso de itens industrializados de alto valor agregado na pauta de importação brasileira.
A indústria farmacêutica e biotecnológica austríaca responde por fatia expressiva do comércio, com destaque para a expansão de 145,9% na NCM 3004.39.29 (medicamentos hormonais polipeptídicos), que alcançou US$ 29,8 milhões.
O principal item de compra individual, contudo, são as bases concentradas para bebidas não alcoólicas (NCM 2202.99.00), associadas a grandes cadeias globais de energéticos sediadas no país.
Nas exportações, a redução na venda de minério de ferro (-64,6%) aponta desaceleração siderúrgica na Europa central, cenário parcialmente mitigado pelo aumento na comercialização de subprodutos de nicho, como resíduos de tungstênio (+410,6%) e óxidos metálicos industriais (+155,2%).
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 13,4 mi | US$ 19,2 mi | +42,7% |
| Exportações | US$ 181,3 mi | US$ 254 mi | +40,1% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 1701.14.00 | Outros açúcares de cana em bruto | 1,2 mil | 77,8 mi | abertura de mercado |
| 0207.14.22 | Peitos desossados de galinha, congelados | 39,4 mi | 34,6 mi | -12,4% |
| 0901.11.10 | Café não torrado, não descafeinado, em grão | 22 mi | 31,4 mi | +43,1% |
| 0202.30.00 | Carnes desossadas de bovino, congeladas | 10,4 mi | 19,3 mi | +85,5% |
| 1005.90.10 | Milho em grão, exceto para semeadura | 19 mi | 19,1 mi | +0,9% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 3104.20.90 | Outros cloretos de potássio, uso agrícola | 9,7 mi | 14,6 mi | +50,6% |
| 3105.90.90 | Outros adubos/fertilizantes minerais químicos | 1,9 mi | 2,7 mi | +43,9% |
| 6109.90.00 | Camisetas de malha de outras matérias têxteis | 396 mil | 475,6 mil | +20,1% |
| 6103.43.00 | Calças e bermudas de malha de fibras sintéticas | 103,4 mil | 280,4 mil | +171,2% |
| 6203.43.00 | Calças e bermudas de fibras sintéticas (não malha) | 45,9 mil | 192,8 mil | +319,6% |
O incremento de 40,3% na corrente de comércio com a Jordânia foi catalisado por um rearranjo no setor açucareiro.
A NCM 1701.14.00 saltou de valores marginais (US$ 1,3 mil em 2025) para mais de US$ 77,8 milhões em 2026, consolidando-se como o item mais exportado do Brasil para o mercado jordaniano.
O avanço nas vendas de carne bovina congelada (+85,5%) e café em grão (+43,1%) demonstra sólida penetração de bens alimentares de consumo imediato.
No fluxo de importações, a Jordânia funciona como elo estratégico de diversificação para insumos agrícolas brasileiros, expandindo em 50,6% o fornecimento de cloreto de potássio (NCM 3104.20.90) e em 43,9% as outras misturas de fertilizantes minerais.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 2,7 bi | US$ 2,1 bi | -23,7% |
| Exportações | US$ 1,2 bi | US$ 1,5 bi | +17,0% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | 189,3 mi | 369,5 mi | +95,2% |
| 2304.00.90 | Bagaços e resíduos sólidos da extração de soja | 240,3 mi | 153,1 mi | -36,3% |
| 0901.11.10 | Café não torrado, não descafeinado, em grão | 160 mi | 142 mi | -11,2% |
| 7207.12.00 | Semimanufaturados de ferro/aço de seção retangular | 30,6 mi | 132,3 mi | +332,2% |
| 2304.00.10 | Farinhas e pellets da extração do óleo de soja | 56,6 mi | 80 mi | +41,2% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 8411.91.00 | Partes de turborreatores ou turbopropulsores | 319,3 mi | 114,5 mi | -64,1% |
| 3002.15.90 | Produtos imunológicos apresentados em doses | 14,5 mi | 62,5 mi | +329,7% |
| 8802.11.00 | Helicópteros de peso vazio ≤ 2.000 kg | 36,5 mi | 58,4 mi | +60,2% |
| 8807.30.00 | Outras partes de aviões ou helicópteros | 42,8 mi | 46,9 mi | +9,6% |
| 2934.99.39 | Outros compostos heterocíclicos com nitrogênio | 3,6 mil | 39 mi | abertura de mercado |
O perfil comercial entre Brasil e França passou por fortes ajustes nos setores energético e siderúrgico. As vendas de óleos brutos de petróleo quase dobraram (+95,2%), consolidando-se como a principal pauta, com US$ 369,6 milhões, acompanhadas pelo crescimento de 332,2% nos produtos siderúrgicos semimanufaturados (NCM 7207.12.00). Esse aumento compensou o recuo na comercialização de farelo e resíduos de soja brutos (-36,3%).
Nas importações, embora o suprimento de partes de turborreatores tenha recuado 64,1%, a integração no segmento de defesa e aviação civil permanece visível no avanço de helicópteros prontos (+60,2%) e partes estruturais (+9,6%), ao lado do salto técnico de compostos químicos heterocíclicos e imunológicos de alta tecnologia.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 6,5 mi | US$ 1,8 mi | -71,8% |
| Exportações | US$ 158 mi | US$ 142,2 mi | -10,0% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 1701.99.00 | Outros açúcares de cana refinados | 80,9 mi | 48,5 mi | -40,0% |
| 1006.40.00 | Arroz quebrado | 28,6 mi | 37,5 mi | +31,1% |
| 0904.11.00 | Pimenta do gênero Piper, não triturada | 21 mi | 27,3 mi | +29,8% |
| 0407.11.00 | Ovos fertilizados para incubação | 8,2 mi | 10,7 mi | +30,1% |
| 2710.19.11 | Querosenes de aviação | 1,6 mi | 2,2 mi | +36,3% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2615.10.20 | Zirconita (minério de zircônio) | 921,4 mil | 1 mi | +16,8% |
| 2614.00.90 | Outros minérios de titânio e concentrados | 749,5 mil | 481,5 mil | -35,8% |
| 7602.00.00 | Desperdícios e resíduos de alumínio | 0 | 256,8 mil | abertura de mercado |
| 8473.29.90 | Partes e acessórios de máquinas de franquear | 0 | 14,3 mil | abertura de mercado |
| 4420.90.00 | Madeira marchetada e incrustada; estojos | 1,3 mil | 2,1 mil | +57,2% |
O fluxo com o Senegal é caracterizado pelo atendimento brasileiro a mercados alimentares específicos da costa ocidental africana. Apesar da retração de 40,0% no açúcar de cana refinado, houve forte dinamismo na venda de arroz quebrado (+31,1%), item essencial na dieta local, e de pimenta em grão (+29,8%).
O avanço de 30,1% em ovos fertilizados para incubação (NCM 0407.11.00) sinaliza o fornecimento de material genético brasileiro para a avicultura local.
As compras originárias do Senegal permanecem marginais e concentradas em minerais pesados, como a zirconita (+16,8%) e concentrados de titânio (-35,8%), com o surgimento discreto de correntes de reaproveitamento industrial de resíduos de alumínio.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 408,8 mil | US$ 6,4 mi | +1477,0% |
| Exportações | US$ 635,4 mi | US$ 439,7 mi | -30,8% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 1701.14.00 | Outros açúcares de cana em bruto | 142,2 mi | 165 mi | +16,0% |
| 0102.29.90 | Outros bovinos vivos (gado em pé) | 38 mi | 89,3 mi | +135,3% |
| 1201.90.00 | Soja, mesmo triturada, exceto para semeadura | 224 mi | 68,7 mi | -69,3% |
| 0207.14.22 | Peitos desossados de galinha, congelados | 58,4 mi | 25,7 mi | -56,0% |
| 1005.90.10 | Milho em grão, exceto para semeadura | 30,3 mi | 21,9 mi | -28,0% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2713.20.00 | Betume de petróleo | 408,8 mil | 6,4 mi | +1.477,0% |
Nota: não foram registradas outras posições tarifárias de importação com movimentação financeira ativa acima de zero nos primeiros cinco meses de 2026, caracterizando a pauta de compras do Brasil no Iraque como concentrada em derivados petroquímicos pesados.
O saldo comercial do Brasil com o Iraque reflete a forte competitividade do país no suprimento calórico do Golfo Pérsico, embora a corrente de comércio tenha desacelerado pela queda nos embarques de soja em grão (-69,3%) e de carne de frango desossada (-56,0%).
O cenário foi contrabalançado pelo avanço na exportação de gado em pé (NCM 0102.29.90), que cresceu 135,3% e atingiu mais de US$ 89 milhões, impulsionado pelas preferências culturais locais de abate. As compras originárias do Iraque concentram-se em betume de petróleo (NCM 2713.20.00), insumo voltado ao setor de construção civil e infraestrutura asfáltica.
| Fluxo | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|
| Importações | US$ 306,9 mi | US$ 369,4 mi | +20,4% |
| Exportações | US$ 712,4 mi | US$ 504.9 mi | -29,1% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 2818.20.10 | Alumina calcinada | 520,3 mi | 295,2 mi | -43,3% |
| 8481.80.99 | Torneiras e dispositivos para canalizações | 48,1mi | 71,7 mi | +49,1% |
| 2710.19.22 | Fuel oil | 32 mi | 37,4 mi | +16,7% |
| 0901.11.10 | Café não torrado, não descafeinado, em grão | 48,6 mi | 31 mi | -36,2% |
| 1201.90.00 | Soja, mesmo triturada, exceto para semeadura | 11 mi | 27,3 mi | +148,8% |
| Código NCM | Descrição | 2025 (US$ FOB) | 2026 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 3105.20.00 | Adubos minerais ou químicos NPK | 38,3 mi | 40,5 mi | +5,5% |
| 0305.53.10 | Bacalhau polar, seco e salgado | 36,5 mi | 38,3 mi | +4,8% |
| 9026.10.19 | Instrumentos para medida/controle de vazão | 23,8 mi | 21,6 mi | -9,4% |
| 7502.10.10 | Cátodos de níquel não ligado, em formas brutas | 12,4 mi | 20,4 mi | +64,1% |
| 9031.80.99 | Outros instrumentos de medida/controle | 3,3 mi | 13,3 mi | +301,9% |
A queda na corrente de comércio bilateral com a Noruega decorre da retração de 43,3% no valor comercializado de alumina calcinada (NCM 2818.20.10).
Esse insumo metálico, tradicionalmente exportado para alimentar as fundições escandinavas de alumínio primário, sofreu pressões de margem no período.
Em contrapartida, o segmento de bens de capital e engenharia offshore registrou expressivo dinamismo: as exportações de dispositivos de canalização e válvulas (NCM 8481.80.99) cresceram 49,1% para atender campos no Mar do Norte, enquanto as importações brasileiras de maquinário de medição avançada avançaram 301,9%.
Essa dinâmica confirma uma estreita integração tecnológica nos clusters de exploração de petróleo e gás em águas profundas, paralela aos fluxos estáveis de fertilizantes NPK (+5,5%) e bacalhau seco (+4,8%).
A leitura comparada dos fluxos comerciais de janeiro a maio entre 2025 e 2026 confirma que o comércio do Brasil com os oito países dos Grupos I e J se sustenta em quatro vetores distintos. A integração automotiva com a Argentina, ainda dominante em volume, sinaliza transição para veículos eletrificados.
A dependência de bens de capital e biotecnologia de França e Áustria mantém déficits estruturais, ainda que o avanço das exportações brasileiras de petróleo tenha reduzido o saldo negativo com a França. No Norte da África e no Oriente Médio, Argélia, Iraque e Jordânia confirmam o Brasil como fornecedor de segurança alimentar, com destaque para a abertura do mercado açucareiro jordaniano e o avanço do gado em pé para o Iraque.
E o eixo de metais e fertilizantes, com Noruega e Senegal, reforça a complementaridade entre insumos industriais e excedentes agrícolas.
O recuo de 11,0% na corrente de comércio agregada e a contração do superávit refletem mais a reacomodação de preços internacionais de commodities do que uma perda estrutural de competitividade, com mercados de fronteira como Jordânia compensando parcialmente a retração dos parceiros de maior porte.
A Argentina, com corrente de comércio de US$ 11,14 bilhões no acumulado de janeiro a maio de 2026, sustentada pela integração intraindustrial no setor automotivo.
Os modelos a combustão registraram quedas expressivas, enquanto os veículos híbridos e elétricos (NCM 8703.40.00) cresceram 404,9%, sinalizando reconfiguração da demanda argentina para produtos de maior valor tecnológico.
A corrente de comércio com a Jordânia cresceu 40,3%, impulsionada pela abertura do mercado de açúcar de cana em bruto (NCM 1701.14.00), que saltou de valores marginais para mais de US$ 77,8 milhões, além do avanço de carne bovina e café.
O Brasil manteve superávit de US$ 1,53 bilhão no acumulado de janeiro a maio de 2026, ante US$ 2,10 bilhões no mesmo período de 2025, com a corrente de comércio total recuando 11,0%, para US$ 18,56 bilhões.