O Brasil chegou ao segundo semestre de 2026 mais dependente do diesel russo do que em qualquer outro momento recente, e essa dependência esbarrou justo agora em uma suspensão temporária das exportações da Rússia.
Ao mesmo tempo, uma nova resolução do governo brasileiro mudou as regras do biodiesel usado na mistura obrigatória.
Os dois eventos, somados às tensões no Oriente Médio, colocam o abastecimento nacional de diesel sob pressão em um momento pontual e concentrado.
As importações brasileiras de gasóleo (óleo diesel, NCM 27101921) originário da Rússia somaram US$3,3 BI em valor FOB de janeiro a junho de 2026.
No mesmo período de 2025, o valor FOB foi de US$2,5 BI. A alta foi de 31,29%, equivalente a US$790.187.252 a mais em seis meses.
| FOB (US$) | 1º semestre 2025 | 1º semestre 2026 | Variação |
| Valor total FOB | US$ 2.525.666.856 | US$ 3.315.854.108 | +31,29% |
| Média mensal | US$ 420.944.476 | US$ 552.642.351 | +31,29% |
Na prática, o Brasil passou a comprar, em média, US$552,6 milhões por mês em diesel russo no primeiro semestre de 2026, quase US$ 132 milhões a mais por mês do que no mesmo período do ano anterior. Esse volume é o que agora precisa ser reposto por outras origens.
Em 8 de julho de 2026, o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak anunciou a proibição temporária das exportações de diesel do país.
A medida é uma resposta a ataques sucessivos de drones ucranianos contra refinarias russas, que reduziram a capacidade de refino e causaram desabastecimento e filas em postos dentro da própria Rússia.
Dois pontos são centrais para entender o alcance real da medida:
Para o Brasil, o efeito prático é o mesmo independentemente da duração exata: um fluxo médio de mais de meio bilhão de dólares mensais em diesel precisa ser buscado em outras fontes enquanto a proibição estiver em vigor, com o risco de o período se estender.
A busca por fornecedores alternativos acontece em um momento particularmente ruim para isso.
O confronto entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, voltou a se intensificar em julho de 2026, com ataques a navios-tanque e queda expressiva no tráfego marítimo pela região.
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Esse cenário eleva o custo de frete e os prêmios de seguro para cargas que passam pelo Golfo Pérsico, o que tende a encarecer o diesel vindo de fornecedores como as refinarias indianas, que dependem em parte de petróleo dessa região.
Combinado à suspensão russa, o efeito é uma pressão simultânea sobre duas das principais rotas de reposição disponíveis ao Brasil.
Em 14 de julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) atualizou as regras de fornecimento de biodiesel para a mistura obrigatória ao diesel B. O ponto central da mudança é este: a partir de agora, fica vedada a importação de biodiesel destinado a essa finalidade.
Todo o biocombustível usado na mistura obrigatória precisa ser produzido por usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a regra vale apenas para o biodiesel usado na mistura obrigatória. A comercialização de biodiesel importado para outros segmentos regulados continua permitida.
Na prática, essa mudança reduz a margem de manobra das distribuidoras justamente no momento em que o diesel fóssil também está mais caro e mais difícil de repor.
Sem a opção de complementar a mistura com biodiesel importado, a oferta do biocombustível fica mais concentrada entre os produtores nacionais já certificados.
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Os três fatores, a suspensão russa, a tensão em Ormuz e a nova regra do biodiesel, incidem sobre o mesmo produto final ao mesmo tempo:
A combinação sugere pressão de custos no curto prazo sobre o preço final do combustível, embora a extensão desse efeito dependa diretamente de quanto tempo a suspensão russa permanecer e de como evolui o conflito no Oriente Médio.
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A suspensão russa se estende além de 31 de julho, dado o tempo necessário para reparar refinarias atingidas pelos ataques.
O Brasil aumenta compras na Costa do Golfo dos EUA e em refinarias indianas, com custo de reposição entre 10% e 15% acima do praticado com o fornecimento russo.
O mercado de biodiesel se ajusta à nova regra da ANP, mas com menos concorrência entre fornecedores.
Reparos nas refinarias russas avançam mais rápido que o esperado e há uma trégua no conflito no Oriente Médio, permitindo a revogação antecipada da proibição, antes do fim de agosto.
Os custos de importação tendem a voltar aos patamares do primeiro semestre. Novas usinas obtêm certificação da ANP com agilidade, ampliando a oferta de biodiesel.
A Rússia prorroga o bloqueio por tempo indeterminado após novos ataques a refinarias de grande porte, e a escalada no Estreito de Ormuz se intensifica.
O petróleo Brent ultrapassa US$100 o barril, o frete internacional dispara, e há risco localizado de desabastecimento em regiões com menor infraestrutura logística. A oferta de biodiesel certificado fica ainda mais restrita.
Não. A proibição anunciada em 8 de julho de 2026 tem prazo definido até 31 de julho e pode ou não ser prorrogada, dependendo da recuperação da capacidade de refino russa.
Sim, para a maior parte dos usos. A restrição da CNPE de julho de 2026 se aplica apenas ao biodiesel destinado à mistura obrigatória ao diesel B.
Porque encarece o frete e o seguro de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz, elevando o custo de reposição vindo de fornecedores como as refinarias indianas.
US$3,31 bilhões FOB entre janeiro e junho de 2026, segundo o ComexStat, uma alta de 31,29% frente ao mesmo período de 2025.
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