O mercado brasileiro de equipamentos hospitalares e médicos projeta um cenário de expansão contínua para 2026.
Segundo o Statista, o mercado brasileiro de dispositivos oftalmológicos está projetado para alcançar uma receita de cerca de 885 milhões de dólares em 2026, enquanto o segmento de outros dispositivos médicos deve atingir aproximadamente 3,09 bilhões de dólares no mesmo ano.
Ambos setores apresentam tendência de alta, impulsionados pelo envelhecimento populacional e maior demanda por tecnologia médica.
Ainda de acordo com o Statista, em 2024 os Estados Unidos consolidaram-se como o principal fornecedor do setor, atingindo US$507 milhões em exportações.
No entanto, o biênio 2024-2025 revelou uma dicotomia crítica: enquanto a demanda total brasileira por dispositivos médicos cresceu dois dígitos, o market share americano sofreu erosão em segmentos de alta tecnologia devido à agressividade competitiva da China e Alemanha.
A manutenção da relevância americana em 2026 dependerá da capacidade de navegação em dois eixos:
1- Inteligência tributária, através do uso extensivo de Ex-tarifários para mitigar os impactos do Decreto 12.551/25 (Lei de Reciprocidade);
2- Agilidade regulatória, focada na certificação de dispositivos integrados com Inteligência Artificial (IA) junto à ANVISA, que deverá compor 60% dos novos lançamentos no setor.
O desempenho das exportações americanas de equipamentos hospitalares em comparação ao crescimento real do mercado brasileiro (FOB 2024/2025) demonstra áreas de dominância e sinais de alerta imediato.
As importações gerais de outros instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, etc, aumentaram 13% em 2025, em comparação com 2024, saindo de US$457,9 MI em 2024, para US$515,8 MI em 2025.
Já as importações brasileiras originárias dos Estados Unidos aumentaram 14%, atingindo US$139,8 MI em 2025:
Este cenário demonstra crescimento orgânico e resiliente. Os EUA acompanham a expansão do mercado, mantendo sua base instalada.
O risco reside no aumento das exportações brasileiras para os EUA (+26%), indicando o fortalecimento de cadeias globais de suprimentos que podem futuramente substituir componentes americanos por locais.
| Código NCM | País | 2025 – Valor US$ FOB | 2024 – Valor US$ FOB | Var. % 24/25 | |
| 9018.90.99 | Outros instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, etc | EUA | US$139,8 MI | US$122 MI | +14% | |
| China | US$ 92,5 MI | US$73,7 MI | +26% | ||
| México | US$ 64,4 MI | US$ 48,5 MI | +33% | ||
| Alemanha | US$ 43,9 MI | US$47 MI | -7% | ||
Em 2025, foram mais de 1000 importadores da NCM 9018.90.99, de acordo com a Logcomex.
Já em relação aos aparelhos de oftalmologia (NCM 9018.50.90), as importações gerais em 2025 alcançaram US$85,2 milhões, um aumento de 10% em comparação com o ano anterior –2024 (US$77,1 MI).
Já as importações advindas dos EUA aumentaram 26% em 2025, saindo de US$34 MI em 2024, para US$42,7 MI em 2025.
Esse é um segmento “Star” para a indústria americana. Os EUA cresceram mais que o dobro da média do mercado, capturando market share de competidores europeus. A projeção de receita para 2026 de US$885 milhões reforça a necessidade de priorizar este portfólio.
| País | 2025 – Valor US$ FOB | 2024 – Valor US$ FOB | Var. % 24/25 |
| EUA | US$42,7 MI | US$ 34 MI | +26% |
| China | US$7,7 MI | US$5,4 MI | +42% |
| Japão | US$7,5 MI | US$9,8 MI | -23% |
| Alemanha | US$ 6,1 MI | US$7,3 MI | -16% |
Em 2025 foram mais de 90 importadores de aparelhos de oftalmologia, segundo dados da Logcomex.
As importações gerais de aparelhos de eletrodiagnóstico (NCM 9018.19.80), apresentaram alta de 34% em 2025, comparado com o ano anterior (2024):
As importações originárias dos EUA registraram queda de 8% em 2025, comparado com o ano anterior (2024), saindo de US$8,9 MI para US$8,2 MI.
Este é um cenário de crise competitiva. Enquanto a demanda brasileira disparou, as vendas americanas encolheram. A China e a Alemanha absorveram essa demanda, oferecendo ciclos de inovação mais rápidos ou estruturas de custos beneficiadas por acordos tarifários.
| País | 2025 – Valor US$ FOB | 2024 – Valor US$ FOB | Var. % 24/25 |
| China | US$28,6 MI | US$ 26,5 MI | +8% |
| Alemanha | US$14,8 MI | US$10,8 MI | +36% |
| Israel | US$ 10 MI | US$ 724 mil | +1287% |
Segundo a Logcomex, em 2025 foram mais de 300 importadores da NCM 9018.19.80.
Leia também: Acordo Mercosul-União Europeia: Impactos na indústria química
O avanço chinês e alemão sobre o posicionamento americano no segmento de eletrodiagnóstico (9018.19.80) reflete uma transição de valor. Em 2025, a China cresceu 8% nesta NCM, enquanto a Alemanha cresceu 36% entre os top 5 fornecedores para o Brasil.
| Player | Tendência 2026 | Alavanca competitiva |
| China | Crescimento | Portabilidade de dispositivos e custo agressivo em diagnóstico de imagem. |
| Alemanha | Consolidação no mercado | Alta precisão diagnóstica e integração nativa com sistemas de gestão hospitalar. |
| EUA | Retração de Share | Perda de competitividade por custo tributário e morosidade na atualização normativa. |
A conformidade regulatória é o principal “pedágio” de acesso ao mercado brasileiro. A tendência para 2026 e os próximos anos é de expansão do uso da Inteligência Artificial em equipamentos hospitalares.
Por isso, exportadores americanos devem acelerar os processos de certificação (Software as a Medical Device – SaMD) sob a RDC 657/2022.
A demora na validação de algoritmos de IA pode excluir tecnologias americanas de licitações públicas e privadas em favor de tecnologias asiáticas já certificadas.
O uso de Ex-tarifários é uma ferramenta estratégica vital para o exportador americano.
A Lei de Reciprocidade autoriza expressamente a suspensão de concessões comerciais como o ex-tarifário em resposta a medidas prejudiciais de outros países.
Leia também: Impactos do Acordo Mercosul-União Europeia na Indústria Brasileira
Com o objetivo de reverter a perda de share e capitalizar sobre o crescimento projetado para 2026, recomenda-se a seguinte matriz de ações:
| Prioridade | Ação Sugerida | Objetivo |
| Imediata | Protocolar pleitos de Ex-tarifário para toda a linha de eletrodiagnóstico (NCM 9018.19.80). | Reduzir o Landed Cost e equiparar preços à concorrência asiática. |
| Estratégica | Implementar programa de conformidade acelerada para IA e Cybersecurity junto à ANVISA. | Garantir que o portfólio 2026 atenda às novas exigências normativas de software médico. |
| Comercial | Expandir presença no segmento de Oftalmologia (NCM 9018.50.90). | Expandir presença em oftalmologia posicionando-se em segmentos underserved onde a tecnologia USA oferece valor agregado premium com menor sensibilidade a preço, focando em emerging markets e nichos menos concentrados. |
| Defensiva | Monitorar Resoluções sobre Similares Nacionais. | Antecipar riscos de perda de isenções fiscais caso a indústria brasileira inicie produção local. |
O mercado brasileiro de equipamentos hospitalares em 2026 será definido pela sofisticação tecnológica. Os Estados Unidos detêm a vantagem da percepção de qualidade, mas enfrentam gargalos de custo e regulação.
O foco na isenção tarifária de alta tecnologia e na rapidez de certificação de dispositivos com IA é a única rota viável para recuperar o terreno perdido no segmento de diagnóstico e manter a hegemonia no setor oftalmológico.