O Grupo K da Copa do Mundo 2026 reuniu quatro seleções de quatro continentes: Colômbia, Portugal, República Democrática do Congo e Uzbequistão. A Colômbia terminou em primeiro, Portugal em segundo, e o Congo avançou como um dos melhores terceiros colocados.
Fora de campo, o Brasil joga contra esses mesmos quatro países no comércio exterior o ano inteiro, e cada relação bilateral conta uma história diferente sobre como a geografia e a posição na cadeia de valor definem quem manda no preço.
Os números a seguir cobrem o acumulado de janeiro a maio de 2026, comparado ao mesmo intervalo de 2025, sob a ótica do fluxo comercial brasileiro com cada país.
| País | Fluxo | Import. 2026 | Export. 2026 | Import. 2025 | Export. 2025 | Var. Imp. | Var. Exp. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Colômbia | Brasil exporta mais do que importa | US$907,9 mi | US$1,65 bi | US$724,0 mi | US$1,26 bi | +25,4% | +31,3% |
| Portugal | Brasil exporta mais do que importa | US$523,2 mi | US$1,30 bi | US$479,6 mi | US$1,37 bi | +9,1% | -5,6% |
| RD Congo | Brasil exporta muito mais do que importa | US$31,1 mi | US$120,5 mi | US$79,6 mi | US$108,9 mi | -61,0% | +10,6% |
| Uzbequistão | Comércio pequeno e de nicho | US$25,4 mi | US$53,7 mi | US$16,2 mi | US$57,9 mi | +56,5% | -7,2% |
A Colômbia é, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil dentro do grupo, e o Brasil exporta para lá quase o dobro do que importa.
O Congo, frequentemente associado a minérios, aparece nos dados como comprador de frango, açúcar e carne suína brasileira.
O café é o maior item de exportação do Brasil para a Colômbia no período. O café não torrado em grão (NCM 0901.11.10) somou mais de US$96 milhões em 2026 contra US$62,8 milhões em 2025, alta de 53,1%.
As informações sugerem que a indústria de torra colombiana ampliou a compra de grão verde brasileiro para compor seus blends, num momento de oferta interna mais apertada.
Depois do café, o Brasil vende automóveis. Três NCMs de veículos de passageiros (8703.40, 8703.21 e 8703.23) somam mais de US$224 milhões, com altas de até 50,7%. Fios-máquina de aço (7213.91.90) cresceram 307,8%.
| Fluxo | NCM | Descrição | 2026 (US$ FOB) | 2025 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Exportação BR | 0901.11.10 | Café não torrado, em grão | US$96,1 mi | US$62,8 mi | +53,1% |
| Exportação BR | 8703.40.00 | Automóveis com propulsão híbrida | US$90,5 mi | US$102,3 mi | -11,5% |
| Exportação BR | 8703.21.00 | Automóveis até 1.000 cm³ | US$76,7 mi | US$52,7 mi | +45,4% |
| Exportação BR | 8703.23.10 | Automóveis entre 1.500 e 3.000 cm³ | US$57,6 mi | US$38,2 mi | +50,7% |
| Exportação BR | 7213.91.90 | Fios-máquina de ferro ou aço | US$43,9 mi | US$10,8 mi | +307,8% |
| Importação BR | 2701.12.00 | Hulha betuminosa, não aglomerada | US$204,8 mi | US$126,8 mi | +61,6% |
| Importação BR | 2704.00.12 | Coques de granulometria inferior a 80 mm | US$155,2 mi | US$148,6 mi | +4,4% |
| Importação BR | 3904.10.10 | Poli(cloreto de vinila), PVC | US$117,4 mi | US$103,7 mi | +13,3% |
| Importação BR | 3902.10.20 | Polipropileno sem carga | US$61,4 mi | US$37,9 mi | +62,1% |
| Importação BR | 1511.10.00 | Óleo de dendê em bruto | US$42,6 mi | US$10,5 mi | +305,9% |
Na importação, o Brasil compra da Colômbia energia fóssil e petroquímicos. A hulha betuminosa lidera com US$ 204,8 milhões e alta de 61,6%. O óleo de dendê em bruto cresceu 305,9%.
Portugal é o segundo maior parceiro do grupo. O Brasil exportou US$1,30 bilhão para os portugueses no período, com leve queda de 5,6%, puxada pela redução de 34,9% nos embarques de óleo bruto de petróleo (NCM 2709.00.10), que sozinho responde por US$621 milhões.
Fora o petróleo, a pauta surpreende. O querosene de aviação subiu 58,4%, aviões inteiros (8802.40.90) apareceram do zero com US$136,2 milhões, e o açúcar de cana (1701.14.00) dobrou de tamanho, alta de 104,8%.
| Fluxo | NCM | Descrição | 2026 (US$ FOB) | 2025 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Exportação BR | 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | US$621,0 mi | US$953,8 mi | -34,9% |
| Exportação BR | 2710.19.11 | Querosenes de aviação | US$138,3 mi | US$87,3 mi | +58,4% |
| Exportação BR | 8802.40.90 | Aviões e veículos aéreos | US$136,2 mi | novo | novo |
| Exportação BR | 1201.90.00 | Soja, mesmo triturada | US$61,2 mi | US$67,6 mi | -9,6% |
| Exportação BR | 1701.14.00 | Açúcares de cana | US$40,6 mi | US$19,8 mi | +104,8% |
| Importação BR | 1509.20.00 | Azeite de oliva extra virgem | US$162,3 mi | US$127,2 mi | +27,5% |
| Importação BR | 8807.30.00 | Partes de aviões ou helicópteros | US$112,4 mi | US$90,4 mi | +24,4% |
| Importação BR | 2204.21.00 | Vinhos de uvas frescas | US$34,1 mi | US$28,9 mi | +17,8% |
| Importação BR | 1509.90.90 | Outros azeites de oliva | US$23,3 mi | US$24,1 mi | -3,2% |
| Importação BR | 0303.63.00 | Bacalhau congelado | US$19,1 mi | US$22,3 mi | -14,5% |
Na importação, Portugal vende ao Brasil azeite, vinho e bacalhau, além de partes de aeronaves. O azeite extra virgem lidera com US$162,3 milhões e alta de 27,5%.
A cortiça aparece como nicho técnico: as rolhas de cortiça natural (4503.10.00) somaram US$753 mil, com alta de 7,8%.
O motor da relação com o Congo está nas exportações brasileiras. O Brasil vendeu proteína e açúcar para o país, US$120,5 milhões com alta de 10,6%.
Frango congelado, carne suína e açúcar de cana lideram a pauta, com o frango em pedaços (0207.14.19) crescendo 177,7% no período.
O perfil das compras posiciona o Congo como mercado de segurança alimentar para o agro brasileiro.
| Fluxo | NCM | Descrição | 2026 (US$ FOB) | 2025 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Exportação BR | 1701.14.00 | Açúcares de cana | US$34,8 mi | US$38,7 mi | -10,2% |
| Exportação BR | 1701.99.00 | Outros açúcares e sacarose | US$16,9 mi | US$13,1 mi | +28,9% |
| Exportação BR | 0203.29.00 | Carnes de suíno, congeladas | US$10,1 mi | US$7,5 mi | +34,0% |
| Exportação BR | 0207.14.19 | Pedaços de frango, congelados | US$9,7 mi | US$3,5 mi | +177,7% |
| Exportação BR | 1102.20.00 | Farinha de milho | US$5,8 mi | US$6,5 mi | -11,0% |
| Importação BR | 2608.00.10 | Sulfetos de minérios de zinco | US$22,9 mi | US$15,4 mi | +48,7% |
| Importação BR | 7403.11.00 | Cátodos de cobre refinado | US$7,9 mi | US$ 1,1 mi | +631,9% |
| Importação BR | 2822.00.90 | Óxidos e hidróxidos de cobalto | US$273 mil | US$ 1,2 mi | -76,8% |
Na via de importação, num total de US$31,1 milhões, o Brasil compra do Congo sulfeto de zinco e cobre refinado.
O sulfeto de minérios de zinco lidera com US$22,9 milhões e alta de 48,7%, e os cátodos de cobre refinado subiram de US$1,1 milhão para US$7,9 milhões.
O Uzbequistão é o menor parceiro do grupo, e a relação é de nicho. O Brasil exporta autopeças para o país, e essa pauta encolheu 7,2%, com quedas nas barras de direção e partes para veículos.
Na via inversa, o destaque é a ureia (NCM 3102.10.10), que subiu 386,3%, de US$4,4 milhões para US$21,4 milhões.
O salto da ureia responde pela maior parte da alta de 56,5% nas importações totais e aponta o país como uma rota de fertilizante nitrogenado para o agro brasileiro.
| Fluxo | NCM | Descrição | 2026 (US$ FOB) | 2025 (US$ FOB) | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Exportação BR | 8708.99.90 | Partes para tratores e veículos | US$7,5 mi | US$10,3 mi | -27,3% |
| Exportação BR | 8708.94.82 | Barras de direção | US$6,0 mi | US$8,0 mi | -24,4% |
| Exportação BR | 8708.21.00 | Cintos de segurança | US$3,1 mi | US$3,4 mi | -7,7% |
| Exportação BR | 8708.95.10 | Bolsas infláveis de segurança (airbag) | US$2,9 mi | US$2,7 mi | +9,2% |
| Exportação BR | 8708.94.83 | Caixas de direção | US$2,6 mi | US$2,9 mi | -11,2% |
| Importação BR | 3102.10.10 | Ureia | US$21,4 mi | US$4,4 mi | +386,3% |
| Importação BR | 0806.20.00 | Uvas secas (passas) | US$2,3 mi | US$3,6 mi | -37,0% |
| Importação BR | 0813.10.00 | Damascos secos | US$753 mil | novo | novo |
| Importação BR | 3104.30.10 | Sulfato de potássio | US$476 mil | US$5,3 mi | -91,1% |
| Importação BR | 5205.23.10 | Fios de algodão penteado | US$226 mil | US$442 mil | -48,9% |
A Colômbia é o grande parceiro do bloco, e o fluxo de café corre do Brasil para a Colômbia, não o contrário. Portugal recebe o agro e o petróleo brasileiro e devolve azeite, vinho e aeropeças.
O Congo é um cliente de proteína em expansão. E o Uzbequistão, pequeno no agregado, sinaliza uma rota de fertilizante que o agro brasileiro tende a acompanhar de perto.
Para o importador e o exportador, a lição se repete: a estatística de comércio do país parceiro conta uma história, e o fluxo bilateral real conta outra. Quem cruza os fluxos reais comanda a operação.
A Colômbia. No acumulado de janeiro a maio de 2026, o Brasil exportou US$ 1,65 bilhão para os colombianos e importou US$ 907,9 milhões, o maior volume entre os quatro países do grupo. O saldo é favorável ao Brasil, com alta de 31,3% nas exportações e 25,4% nas importações em relação a 2025.
O Brasil exporta café para a Colômbia. O café não torrado em grão foi o principal item da pauta de exportação brasileira para o país, com US$ 96,1 milhões em 2026 e alta de 53,1%. Os dados sugerem que a torra colombiana ampliou o uso de grão verde brasileiro na composição de seus blends, em um momento de oferta interna mais apertada.
Petróleo e agro. O óleo bruto de petróleo lidera a pauta, com US$ 621 milhões, seguido por querosene de aviação, aviões, soja e açúcar de cana. As exportações totais somaram US$ 1,30 bilhão no período.
Não de forma relevante. As importações brasileiras do Congo no período somaram US$ 31,1 milhões e concentram-se em sulfeto de zinco e cátodos de cobre refinado. A relação com o Congo é puxada pelas exportações brasileiras de proteína e açúcar, que cresceram 10,6% e chegaram a US$ 120,5 milhões.
Por causa da ureia. As importações brasileiras de ureia do Uzbequistão saltaram 386,3%, de US$ 4,4 milhões para US$ 21,4 milhões, e respondem pela maior parte da alta de 56,5% no total importado do país.