O risco tarifário americano vai além das exportações e alcança a macroeconomia brasileira. Os EUA propõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com consulta pública até 1º de julho e decisão final prevista para 15 de julho. A medida afeta cerca de 0,36% do PIB, mas economistas alertam para pressão em câmbio, juros e fluxo de capitais como efeitos colaterais. As principais commodities do agronegócio seguem isentas da taxação.
O acesso brasileiro ao mercado europeu de proteínas animais entra em risco. A Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco, com vigência a partir de 3 de setembro. A exclusão atinge bovinos, aves, ovos, mel e aquicultura por falta de garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação animal. As exportações seguem normalmente até a data-limite, enquanto o governo negocia a reversão com Bruxelas.
A crise logística no Oriente Médio pressiona insumos industriais além dos combustíveis. O preço de importação de borracha natural subiu 9,6% em maio, reflexo do encarecimento do frete marítimo e da pressão sobre petroquímicos causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O Brasil depende de importações para suprir parte da demanda interna e mantém tarifa de 10,8% sobre o produto oriundo de fora do Mercosul.O Brasil usa o etanol como escudo contra a volatilidade do petróleo.
O governo propôs elevar de 30% para 32% o teor de etanol na gasolina, medida que deve reduzir a importação do combustível em 450 milhões de litros ao ano. A proposta é resposta direta à alta dos preços internacionais dos combustíveis, agravada pelo conflito no Oriente Médio. O setor sucroalcooleiro entra na safra 2026/27 com expectativa de produção recorde.
