O setor siderúrgico brasileiro volta aos holofotes com uma perspectiva otimista para 2025: um aumento expressivo no consumo de aço no país. Segundo a CSN, Companhia Siderúrgica Nacional, a expectativa é de que o crescimento supere os 5%, puxado principalmente pelos setores de infraestrutura, construção civil e indústria automotiva — segmentos que devem se beneficiar da retomada econômica e de investimentos públicos e privados.
Essa previsão vem em um momento estratégico. O Brasil tenta retomar o acordo de 2018 com os Estados Unidos, que limitava as exportações brasileiras de aço ao mercado norte-americano, mas oferecia previsibilidade ao setor. Desde que o acordo foi deixado de lado, o aço brasileiro tem enfrentado barreiras tarifárias mais rígidas, como as cotas impostas durante o governo Trump. Para as siderúrgicas nacionais, retomar esse entendimento significa abrir uma janela importante para a exportação, especialmente em um cenário de demanda interna aquecida.
A projeção da CSN indica que o mercado interno será um motor relevante para a indústria do aço em 2025. Grandes obras públicas, o avanço de programas habitacionais e a recuperação da confiança na construção civil devem manter os altos-fornos operando a todo vapor.
No âmbito do comércio exterior, segundo a Logcomex, as exportações de aço somaram um FOB de US$ 2,04 bilhões no 1º bimestre de 2025. Os principais destinos do aço brasileiro foram os Estados Unidos, com 58% do total da carga, seguidos por China, com 10% e Argentina, com 4%.
No entanto, apesar do bom momento doméstico, o setor não pretende abrir mão de sua presença no mercado internacional. A retomada do acordo com os EUA é vista como essencial para reequilibrar a competitividade. Em declarações recentes, representantes do Instituto Aço Brasil reforçaram a importância de revisitar os termos de 2018, ressaltando que a atual política americana de cotas onerosas impõe perdas significativas ao setor brasileiro.
As negociações com Washington devem ganhar corpo ainda no primeiro semestre de 2025, com apoio do governo brasileiro. A posição estratégica do aço — tanto como insumo industrial quanto como vetor de desenvolvimento — coloca o tema no centro da pauta comercial entre os dois países. Especialistas apontam que o momento é propício: a retomada econômica global exige maior circulação de bens industriais, e o Brasil tem condições de oferecer aço de qualidade com preços competitivos.