RCEP: como o maior acordo comercial do mundo pode redesenhar o futuro do multilateralismo

4 de abril de 2025

RCEP: como o maior acordo comercial do mundo pode redesenhar o futuro do multilateralismo
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O cenário global está cada vez mais marcado por disputas comerciais, nacionalismo econômico e o declínio do entusiasmo pela globalização. Em meio a tarifas retaliatórias entre EUA e China e à retirada americana de acordos multilaterais como o TPP, um novo protagonista desponta: o RCEP (Parceria Econômica Regional Abrangente).

Formado por 15 países — incluindo China, Japão, Coreia do Sul e os membros da ASEAN —, o RCEP é o maior acordo de livre comércio do mundo. Mais que um pacto comercial, ele representa uma nova visão de cooperação regional liderada por potências médias e pragmáticas, como os países do Sudeste Asiático.

Em 2024, o comércio intra-ASEAN cresceu mais de 7%, após um ano de queda. A meta é ambiciosa: até 2035, 90% dos produtos envolvidos terão tarifa zero, com potencial para elevar 27 milhões de pessoas à classe média. O acordo também promove a troca de talentos, conhecimento e capital entre economias desenvolvidas e emergentes da Ásia.

Em um mundo fragmentado, o RCEP se destaca não apenas pelo seu tamanho, mas por sua abordagem inclusiva e resiliente. Ao reunir países com sistemas políticos diversos, o bloco mostra que é possível avançar com base no consenso e na diplomacia informal — marcas registradas da ASEAN.

Mesmo sem os altos padrões regulatórios de acordos como o CPTPP, o RCEP oferece um modelo viável de integração econômica que valoriza a cooperação regional em tempos de incerteza global. Ele também é estratégico para países como Austrália e Japão, que adotam a estratégia “China+1” para reduzir a dependência de Pequim e diversificar suas cadeias produtivas.

Para o Brasil e a América Latina, o avanço do RCEP impõe desafios e lições: o fortalecimento das cadeias asiáticas pode desviar comércio e investimentos da região, enquanto a ausência de acordos relevantes com a Ásia limita a inserção competitiva. O Mercosul, nesse contexto, precisa acelerar sua modernização e buscar maior integração com mercados asiáticos para não perder relevância.

À medida que mais países — como Chile e Sri Lanka — demonstram interesse em aderir, o RCEP consolida seu papel como alternativa concreta ao protecionismo crescente. Em vez de confrontos entre superpotências, o futuro do comércio pode estar na força das potências médias e nos laços regionais que elas constroem.


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