Este relatório apresenta as dinâmicas de importação e exportação de quatro mercados-chave para a estratégia de inserção internacional e segurança de suprimentos: México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia. A análise quantitativa é fundamentada nos dados consolidados das transações comerciais registradas entre os meses de janeiro e maio de 2025 e de 2026.
O panorama macroeconômico do período revela mudanças estruturais nas balanças comerciais entre o Brasil, México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia.
O fluxo comercial agregado com a Coreia do Sul registrou uma expansão sem precedentes nas importações, que saltaram de US$2,22 bilhões de janeiro a maio de 2025 para US$5,31 bilhões em 2026, representando uma variação positiva de 138,68%.
Esse movimento, combinado a um recuo de 12,37% nas exportações bilaterais, reverteu o superávit histórico de US$47 milhões observado em 2025 para um déficit acentuado de US$3,3 bilhões no acumulado de 2026.
O relacionamento comercial com a Coreia do Sul passou por uma transformação radical nos primeiros cinco meses de 2026, convertendo-se no principal vetor de déficit comercial entre os países analisados.
O principal impulsionador dessa assimetria foi a internalização aduaneira de bens de capital de altíssimo valor agregado destinados ao setor de infraestrutura e exploração energética, alterando por completo os patamares históricos de importação.
A pauta exportadora brasileira para o mercado sul-coreano, por sua vez, permanece concentrada em commodities minerais e agrícolas, expondo a balança a oscilações de preços internacionais e gerando uma necessidade premente de diversificação.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 89052000 | Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis | 0 | 2,4 bilhões | inf% |
| 85423210 | Memórias não montadas | 110,8 milhões | 466 milhões | 320,70% |
| 85423229 | Outras memórias digitais montadas | 166,7 milhões | 325 milhões | 95,03% |
| 85423120 | Processadores e controladores, mesmo combinados com memórias | 123,8 milhões | 148 milhões | 19,65% |
| 85423221 | Memórias, montadas, próprias para montagem em superfície (SMD) | 26,3 milhões | 111,9 milhões | 325,34% |
A análise minuciosa das importações sul-coreanas revela que a introdução de Plataformas de perfuração ou exploração (NCM 89052000) isolou-se como o maior evento financeiro do período, somando US$2,4 bilhões em valor desembarcado sem registro de equivalentes no ano anterior.
Simultaneamente, observa-se uma expansão na cadeia de componentes eletrônicos de alta tecnologia. As memórias não montadas (NCM 85423210) cresceram surpreendentes 320,70%, saltando para US$466 milhões, enquanto as memórias montadas para superfície (NCM 85423221) avançaram 325,34%.
Esse aumento expressivo no fornecimento de componentes microeletrônicos e memórias digitais reflete a forte aceleração da indústria de montagem eletroeletrônica e automotiva local, evidenciando que a Coreia do Sul atua como o principal polo provedor de inteligência de hardware para as cadeias produtivas instaladas no Brasil.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 27090010 | Óleos brutos de petróleo | 743,8 milhões | 537,3 milhões | -27,75% |
| 26011210 | Minérios de ferro e seus concentrados, aglomerados por peletização | 222,4 milhões | 212,8 milhões | -4,33% |
| 02071423 | Coxas com sobrecoxas desossadas de galinha, congeladas | 139,4 milhões | 168,6 milhões | 20,91% |
| 23040090 | Bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja | 216,5 milhões | 165,7 milhões | -23,47% |
| 12019000 | Soja, mesmo triturada, exceto para semeadura | 88,2 milhões | 155,8 milhões | 76,47% |
Em relação às exportações para a Coreia do Sul, o cenário é dominado pelo recuo nos valores das duas principais commodities energéticas e minerais.
Os óleos brutos de petróleo (NCM 27090010) sofreram uma contração de 27,75%, caindo de US$743,8 milhões para US$537,3 milhões e os minérios de ferro peletizados (NCM 26011210) recuaram 4,33%.
Em contrapartida, o agronegócio de proteína animal e grãos demonstrou excelente dinamismo competitivo.
As exportações de coxas e sobrecoxas de galinha desossadas e congeladas (NCM 02071423) cresceram 20,91%, consolidando US$168,6 milhões, e o complexo de soja em grão (NCM 12019000) disparou 76,47%, compensando parcialmente a queda observada nos bagaços e resíduos sólidos do setor agroindustrial.
A relação comercial brasileira com o México demonstrou solidez e crescimento mútuo, caracterizada por um avanço de 23,85% nas importações (atingindo US$2,9 bilhões) e de 17,37% nas exportações (alcançando US$ 3,3 bilhões), preservando um saldo comercial superavitário de US$411,4 milhões em favor da economia brasileira.
O comércio bilateral com o México reflete uma das relações mais estratégicas do ponto de vista de complementaridade e competição intra-indústria na América Latina. Ambas as economias operam como hubs manufatureiros robustos, o que gera fluxos cruzados intensos de bens duráveis e componentes tecnológicos.
A balança comercial manteve-se expandida e favorável ao Brasil, registrando acréscimos de dois dígitos em ambos os sentidos do fluxo e consolidando um intercâmbio comercial dinâmico e diversificado.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 87032310 | Automóveis com motor explosão, 1500 < cm3 <= 3000, até 6 passageiros | 126,3 milhões | 183,5 milhões | 45,33% |
| 84714900 | Outras máquinas automáticas de processamento de dados em sistemas | 10,2 milhões | 170,3 milhões | 1561,51% |
| 87032210 | Automóveis com motor explosão, 1000 < cm3 <= 1500, até 6 passageiros | 9,9 milhões | 169 milhões | 1607,99% |
| 84715040 | Unidade de processamento digital de grande capacidade (>US$ 100k/un) | 14,8 milhões | 119 milhões | 700,82% |
| 87084080 | Outras caixas de marchas | 93,1 milhões | 98,3 milhões | 5,60% |
O perfil das importações de origem mexicana evidencia uma forte ofensiva comercial nos setores automotivo e de tecnologia da informação.
Os automóveis de passageiros de média cilindrada (NCM 87032310) subiram 45,33%, atingindo US$183.577.871, ao passo que os veículos de baixa cilindrada (NCM 87032210) apresentaram um crescimento exponencial e atípico de 1607,99%, saindo de patamares marginais de US$ 9.897.059 para expressivos US$ 169.040.807.
Paralelamente, o fornecimento de infraestrutura de TI pesada registrou expansão massiva, evidenciada pelo salto de 1561,51% em sistemas de processamento de dados (NCM 84714900) e de 700,82% em unidades de processamento digital corporativas de alta capacidade (NCM 84715040), sinalizando uma forte dependência brasileira de soluções de hardware industrial mexicano para modernização tecnológica.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 12019000 | Soja, mesmo triturada, exceto para semeadura | 333,6 milhões | 426,1 milhões | 27,73% |
| 87043190 | Veículos automóveis com motor explosão para carga, <= 5 toneladas | 186,1 milhões | 192 milhões | 3,19% |
| 02071422 | Peitos desossados de galinha, comestíveis, congelados | 170,7 milhões | 172 milhões | 0,80% |
| 02023000 | Carnes desossadas de bovino, congeladas | 146,7 milhões | 145,6 milhões | -0,73% |
| 26011100 | Minérios de ferro e seus concentrados, não aglomerados | 52,3 milhões | 112 milhões | 113.82% |
A pauta de exportação destinada ao México destaca a resiliência do fornecimento de insumos agroalimentares essenciais e matérias-primas industriais.
A soja em grão (NCM 12019000) consolidou-se como o item mais valioso, com alta de 27,73%, alcançando US$426.173.737.
O setor extrativista mineral obteve o desempenho mais expressivo do período, registrando uma expansão de 113,82% nas vendas de minérios de ferro não aglomerados (NCM 26011100), dobrando o faturamento para US$ 111.909.355.
Já no segmento industrial manufaturado, as exportações de veículos utilitários leves para transporte de carga (NCM 87043190) mantiveram estabilidade operacional e crescimento incremental de 3,19%, totalizando US$ 192.086.484, enquanto o complexo de carnes de aves (NCM 02071422) e bovinas (NCM 02023000) manteve volumes financeiros consolidados na casa dos US$ 172 milhões e US$ 145 milhões, respectivamente.
A África do Sul consolidou sua posição como fornecedora estratégica de insumos industriais críticos, com incremento de 32,41% nas importações e 20,02% nas exportações, sustentando um saldo positivo estável de US$140 milhões para o Brasil.
O fluxo comercial estabelecido com o mercado sul-africano possui contornos altamente estratégicos para a integridade física da indústria de transformação de metais e autopeças instalada no Brasil.
O intercâmbio de mercadorias é pautado pela importação de minerais raros e metais nobres do grupo da platina, insumos indispensáveis para conformidade regulatória e produção de bens duráveis de alto valor.
Do lado exportador, o Brasil atua com relevância no fornecimento de bens de capital para o agronegócio e logística de transporte, além de suprir demandas alimentares internas para o país.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 71102100 | Paládio em formas brutas ou em pó | 92,1 milhões | 151 milhões | 63,90% |
| 71101100 | Platina, em formas brutas ou em pó | 42,9 milhões | 88,4 milhões | 106,21% |
| 71103100 | Ródio em formas brutas ou em pó | 36,9 milhões | 85,7 milhões | 132,44% |
| 87034000 | Veículos híbridos de passageiros (motor pistão + elétrico), não plug-in | 21,2 milhões | 15,7 milhões | -25,88% |
| 26140090 | Outros minérios de titânio e seus concentrados | 10,4 milhões | 13,7 milhões | 31,88% |
Os registros das importações confirmam o avanço na aquisição dos metais preciosos essenciais para processos metalúrgicos complexos.
O paládio bruto ou em pó (NCM 71102100) manteve a liderança da pauta, crescendo 63,90% e somando US$151 milhões.
O crescimento mais expressivo ocorreu nas posições de platina bruta (NCM 71101100), com alta de 106,21% (US$ 88.431.501), e ródio bruto (NCM 71103100), cujas importações expandiram 132,44%, saltando de US$ 36.905.058 de janeiro a maio de 2025, para US$ 85.781.307 no mesmo período deste ano.
Em contraposição a essa disparada de insumos industriais básicos, as compras de veículos de passeio híbridos convencionais (NCM 87034000) apresentaram retração acentuada de 25,88%, indicando uma substituição por produção nacional ou por outras fontes globais de suprimento.
| Código NCM | Descrição NCM | Jan-Mai 2025 (US$ FOB) | Jan-Mai 2026 (US$ FOB) | Variação YoY (%) |
| 87012100 | Tratores rodoviários para semirreboques (diesel) | 47,6 milhões | 59,1 milhões | 24,22% |
| 02071424 | Carne mecanicamente separada de galinha, congelada | 49,5 milhões | 50,9 milhões | 2,58% |
| 79011111 | Zinco não ligado, teor de pureza >= 99,99%, em lingotes | 18,7 milhões | 49,2 milhões | 162,65% |
| 10019900 | Outros trigos e misturas de trigo com centeio, exceto sementes | 0 | 21,6 milhões | – |
| 17019900 | Outros açúcares de cana ou beterraba, sacarose pura | 15,8 milhões | 18,6 milhoes | 18,15% |
No âmbito das exportações brasileiras destinadas à África do Sul as vendas brasileiras foram impulsionadas por bens industriais e uma inserção de oportunidade na cadeia de grãos.
O fornecimento de zinco eletrolítico de alta pureza em lingotes (NCM 79011111) liderou a expansão percentual com uma variação positiva de 162,65%, atingindo US$49,2 milhões em 2026.
Os tratores rodoviários pesados movidos a diesel (NCM 87012100) avançaram 24,22%, consolidando US$59.139.361 e refletindo a competitividade nacional no nicho de veículos pesados.
Outro destaque estratégico foi o registro inédito de exportações de trigo e misturas com centeio (NCM 10019900), gerando uma receita de US$21.636.622 sem precedentes operacionais no mesmo intervalo do ano anterior, ladeado pela estabilidade nos embarques de carne mecanicamente separada de aves (NCM 02071424) e açúcar refinado de cana (NCM 17019900).
Por fim, a Tchéquia desponta como um ecossistema industrial de alta relevância qualitativa; sua inserção logística global baseada em bens de capital e no setor automotivo exige um posicionamento estratégico diferenciado para mitigar riscos de dependência tecnológica e otimizar a competitividade nacional.
Localizada no centro geográfico do ecossistema fabril da União Europeia, a Tchéquia apresenta um caso emblemático de economia altamente industrializada que atua como fornecedora chave de bens de capital de precisão, maquinário industrial avançado e componentes eletromecânicos essenciais para os processos de automação em mercados emergentes.
O principal pilar de projeção internacional do país é o seu robusto e ultracompetitivo cluster automotivo. A montadora nacional fabricada em território tcheco, consolidou um desempenho histórico marcante no encerramento do exercício de 2025, efetuando a entrega global de 1.043.900 veículos comerciais e de passageiros.
Esse volume operacional representou o melhor resultado comercial da companhia nos últimos seis anos e alçou a marca à posição de terceira fabricante mais vendida em todo o continente europeu, mantendo uma rede de exportação ativa e diversificada que atende a mais de 100 nações globalmente.
A relevância desse indicador transcende o desempenho corporativo isolado e expõe a alta densidade industrial de uma nação de apenas dez milhões de habitantes que desenvolveu competências produtivas e logísticas em escala global.