O ano de 2026 inicia-se com um cenário que promove instabilidade e incerteza na economia e, claramente, no futuro do planeta. Com os acontecimentos envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, abre-se espaço para uma análise sobre como será a relação comercial no que se refere às negociações do mercado energético global. Neste report, destrincharemos os acontecimentos e suas implicações para o comércio exterior brasileiro e para suas consequentes relações.
O ano de 2025 revelou um Brasil com produção recorde, mas com vulnerabilidades estruturais no refino e no valor de exportação.
A intervenção norte-americana na Venezuela coloca um enorme ponto de interrogação sobre como será o futuro do setor energético global. A Venezuela, detentora da maior reserva de petróleo do planeta, e com uma infraestrutura defasada e que não permitia a extração acelerada de petróleo, agora está prestes a ter suas reservas novamente exploradas por petroleiras estadunidenses.
Parceiros comerciais históricos da Venezuela, Rússia e China olham com atenção e desconfiança sobre como isso impactará seus fornecimentos de petróleo. Estados Unidos, por outro lado, enxerga nisso a oportunidade de reconquistar vantagem econômica e mercadológica global.
Tudo isso gera algumas preocupações. A presença de navios de guerra norte-americanos no Caribe gera interceptações de petroleiros e eleva os custos de seguro (War Risk Insurance).
Entre janeiro e novembro de 2025, os Estados Unidos se mantiveram como o principal provedor de produtos energéticos para o Brasil, com US$ 7,57 bilhões em FOB importado, 36% do share total. Ao longo de todo o ano, pudemos destacar algumas análises a respeito desta relação comercial:
Com os novos acontecimentos vindos da Venezuela, é preciso atentar-se às possíveis implicações que isto pode trazer ao comércio global. Dados da Logcomex apontam que, para o Brasil, diretamente, este impacto pode ser pouco sentido:
Com a intervenção americana, os contratos da China com a PDVSA — que representam 80% da produção estatal venezuelana — estão sob risco iminente de interrupção.
A reabertura da Venezuela sob influência dos EUA cria um excesso de oferta no longo prazo e reduz a vantagem competitiva do Brasil no mercado americano.
O Brasil deve aproveitar sua posição de “backup” para a China para negociar melhores termos comerciais, enquanto acelera investimentos em refino nacional para mitigar a dependência de derivados dos EUA (que custaram US$ 2,8 bi em diesel apenas em 2025). O monitoramento do custo de frete no Caribe nos próximos 90 dias é crítico para empresas de metalurgia e químicas que dependem de insumos venezuelanos.