O mercado brasileiro de artigos carnavalescos e insumos para festividades apresenta uma trajetória de crescimento resiliente no acumulado de janeiro a novembro de 2025, com um incremento de aproximadamente 10,8% no valor total importado (FOB) em comparação ao mesmo período de 2024.
Este avanço é impulsionado primordialmente pelo NCM 9505.90.00 (Artigos para festas e carnaval), que registrou um salto de 36%, sinalizando uma antecipação de demanda para o Carnaval 2026 e a profissionalização das cadeias de suprimento.
Observa-se uma mudança estrutural na logística de entrada: enquanto os hubs tradicionais de consumo (como o Nordeste) registraram quedas acentuadas nas importações diretas, a Região Sul (Porto de Itajaí) consolidou-se como a principal porta de entrada nacional, com um crescimento expressivo de 71%.
O Sudeste mantém-se como o núcleo de inteligência logística e redistribuição, processando o maior volume financeiro e atendendo a eventos de magnitude global, como os desfiles do Rio de Janeiro e São Paulo, além de prover suporte a eventos regionais de grande escala como o Festival de Parintins no Norte.
A análise por códigos tarifários (NCM) revela uma tendência de substituição de produtos e foco em insumos estruturais. O valor total das importações nos itens monitorados saltou de US$37,3 milhões em 2024 para US$41,4 milhões em 2025.
3. Chapéus e adereços capilares: Observa-se uma queda nos chapéus de palha para fantasias (-24%), contrastando com o crescimento estável de tiaras e acessórios capilares (+14%, atingindo US$8,8 MI). Isso reflete a tendência de moda carnavalesca focada em adereços de cabeça de fácil uso e alta visibilidade para o público geral.
A análise dos dados portuários revela uma disparidade significativa entre os pontos de entrada das mercadorias e os centros de consumo final, evidenciando uma reestruturação da malha logística brasileira para artigos festivos em 2025.
A análise a seguir contempla o comparativo do período de Janeiro a Novembro de 2024 vs. o mesmo período de 2025:
O Porto de Itajaí consolidou-se como o principal nó logístico para o setor. Com um crescimento de 71% (saltando de US$4,7 MI para US$8,1 MI), Santa Catarina não atua como consumidor final proporcional a esse volume, mas sim como o maior polo importador do Brasil. A eficiência tributária e portuária da região atrai o fluxo que é, posteriormente, redistribuído para os mercados do Sudeste e Nordeste.
A região representa 43% do impacto econômico do Carnaval no país.
Porto de Santos: Registrou estabilidade (US$8,9 MI).
Porto do Rio de Janeiro: Apresentou um crescimento robusto de 24% (de US$5 MI para US$6,2 MI), sugerindo um fortalecimento da importação direta para abastecer o complexo industrial das Escolas de Samba e o crescente Carnaval de rua fluminense.
Função estratégica: São Paulo e Rio de Janeiro operam como os principais centros de inteligência e redistribuição nacional, abastecendo inclusive as regiões Norte e Centro-Oeste.
Observa-se um fenômeno de “nacionalização” da compra no Nordeste. Apesar da Bahia possuir um impacto econômico projetado de R$ 7,0 bilhões para 2025, as importações diretas despencaram:
As importações via Porto de Manaus recuaram 8% (de US$240,3 mil para US$222 mil). A dinâmica regional é fortemente influenciada pelo Festival de Parintins, cujos adornos elaborados e carros alegóricos dependem de insumos especializados.
A queda na importação direta reforça a característica de Manaus como um hub regional que recebe mercadorias redistribuídas de São Paulo e Rio de Janeiro para atender também os estados de Roraima, Rondônia e Amapá.
Com apenas 1% do impacto econômico nacional, a região mantém uma estrutura de abastecimento quase totalmente dependente da redistribuição logística dos centros do Sul e Sudeste, sem registros de importação direta expressiva para o setor.
A configuração dos dados aponta para uma centralização logística estratégica. O fato de Santa Catarina (Porto de Itajaí) crescer 71% enquanto os pontos de consumo direto (como Nordeste e Norte) apresentam quedas de dois dígitos, demonstra que o mercado brasileiro de comércio exterior para artigos festivos está se tornando mais dependente de grandes tradings e operadores logísticos do Sul/Sudeste.
Isso implica em:
Principais NCMs importadas
| NCM | Descrição Resumida | Jan-nov 2024 (FOB) | Jan-nov 2025 (FOB) | Var. % |
| 9505.90.00 | Artigos para festas e carnaval | US$ 12,5 MI | US$ 17,1 MI | 36% |
| 67010000 | Penas e plumagens preparadas | US$ 328,1 mil | US$328,1 mil | 0% |
| 67029000 | Flores artificiais de outras matérias | Adornos estruturais em carros alegóricos | US$7,2 MI | US$ 8,1 MI | 13% |
| 65040010 | Chapéus de palha fina (manila, panamá) | Chapéus de palha para fantasias | US$992,7 mil | US$ 745 mil | 24% |
| 65040090 | Chapéus estruturados para fantasias | US$2,8 MI | US$2,8 MI | -3% |
| 65050022 | Gorros de fibras sintéticas | Gorros de fantasia | US$5,7 MI | US$3,4 MI | -40% |
| 65050090 | Outros artigos semelhantes; coifas para cabelo | Tiaras, tiara-coroas, acessórios capilares | US$7,7 MI | US$8,8 MI | 14% |
| 8308.90.20 | Contas e lantejoulas (metais) | US$ 136,0 mil | US$ 121,7 mil | -10% |
A análise dos fluxos de comércio exterior para o ciclo carnavalesco 2024-2025 revela uma maturidade logística que exige atenção estratégica.
A centralização das importações no polo catarinense (Sul), em detrimento da importação direta nos centros de consumo (Norte/Nordeste), redefine o perfil de risco e oportunidade para os players do setor.
Alta performance de acessórios: O crescimento expressivo em “Artigos para festas” (+36%) e “Tiaras/Acessórios capilares” (+14%) indica uma mudança no comportamento do consumidor, que busca customização e adereços de cabeça em vez de fantasias completas ou gorros simples (que caíram 40%). Há espaço para premiumização nestas categorias.
O aumento de 13% em flores artificiais e adornos estruturais valida a manutenção dos investimentos em desfiles de grande porte, mantendo a demanda por fornecedores de alta escala no Sudeste.
Gargalo logístico: A dependência do Porto de Itajaí (crescimento de 72%) como porta de entrada cria um risco de “custo Brasil” elevado no transporte terrestre até o Sudeste e Nordeste. Recomenda-se avaliar a viabilidade de cabotagem para o abastecimento de hubs como Salvador e Suape, visando mitigar os custos de frete rodoviário que impactam o preço final.
Desabastecimento regional: A queda nas importações diretas no Norte (-19%) e Nordeste (-63%) sugere que estas regiões estão operando com estoques “just-in-time” providos por redistribuidores. Atrasos na malha logística de São Paulo/Rio podem comprometer eventos críticos como o Festival de Parintins ou o Carnaval de Salvador.