Com base na consolidação dos dados de valor FOB das nove NCMs que compõem a cesta de produtos analisada (bacalhau, azeites e azeitonas), registrou-se uma retração nominal de 5,08% no primeiro bimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025.
Esse cenário do setor sinaliza que o abastecimento deste ano foi pautado pela substituição estratégica: redução de itens de alto ticket (Bacalhau Gadus e filés processados) e expansão compensatória de itens de “combate” (Saithe e salmoura).
O varejo prioriza o giro rápido em detrimento da margem unitária, respondendo a uma inflação setorial acumulada de cerca de 13% (IPCA-Alimentos, IBGE) que reconfigurou o poder de compra das famílias para o período festivo.
No mesmo bimestre, as importações do cacau bruto (NCM: 18010000) caíram 24,7% FOB (US$132 mi vs. US$175 mi), dominado por Costa do Marfim (99,9%). Já a manteiga de cacau ( NCM: 18040000) recuou -99,98% (US$ 1,3k), sinalizando produção nacional; As importações do cacau em pó (NCM: 18050000) subiram +8,8% (US$17,9 mi) tendo Uruguai/Holanda como principais fornecedores.
As movimentações de comércio exterior no início de 2026 permitem identificar as causas estruturais que moldaram a oferta atual nas gôndolas:
A retração severa nas NCMs de filés de bacalhau congelado (NCM:03047100: -59%) e filés secos/salgados (NCM: 03053210: -11%) sugere que os custos de industrialização na China e Europa atingiram um teto de viabilidade.
A análise conjuntural das informações do Comex Stat, aponta para um movimento de menor beneficiamento na importação, com o bacalhau em salmoura (NCM: 03056200: +45%) reduzindo incidência de custos logísticos e tarifários.
No segmento de azeitonas preparadas (NCM: 20057000), a inversão de dominância entre Peru (+187% em subagregados verdes) e Argentina (-41%) indica uma mudança estrutural.
O Peru consolidou vantagens de safra e logística, permitindo que importadores brasileiros abandonassem a volatilidade do parceiro Mercosul para garantir abastecimento linear na Páscoa.
O avanço das importações de azeite da Espanha e Tunísia demonstra gestão de risco coordenada. Os players pulverizaram fontes para evitar que quebras de safra em Portugal comprometam a disponibilidade do item de maior relevância financeira da cesta (Azeite Extra Virgem, NCM: 15092000).
As importações de cacau bruto (NCM 18010000) caíram 24,7% em valor FOB (US$ 132 milhões jan-fev/2026 vs. US$ 175 milhões em 2025). A Costa do Marfim concentrou 99,9% do volume importado, enquanto Gana praticamente desapareceu (-99,9%).
As importações de manteiga de cacau (NCM:18040000) despencaram 99,98% (de US$ 6,9 milhões para apenas US$ 1,3 mil), indicando forte desestocagem ou produção nacional.
Já as importações de cacau em pó (NCM 18050000) cresceram 8,8% em valor FOB (US$ 17,9 milhões), com Uruguai e Holanda como principais fornecedores, garantindo matéria-prima para chocolates pascais.
No primeiro bimestre, as importações brasileiras mudaram radicalmente:
| Produto | FOB 2026 | FOB 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Cacau bruto | US$ 132 mi | US$ 175 mi | -24,7% |
| Cacau em pó | US$ 17,9 mi | US$ 16,4 mi | +8,8% |
| Manteiga | US$ 1,3 mil | US$ 6,9 mi | -99,98% |
Com a proximidade da Páscoa, o comportamento observável dos players e consumidores revela tendências claras:
As redes varejistas concentram esforços no bacalhau tipo Saithe (NCM: 03055310) que registrou aumento de 21% nas importações no primeiro bimestre de 2026.
O mercado cessou tentativas de sustentar volume via outro tipo de bacalhau, o Gadus Morhua (NCM: 03055100) – que registrou queda de -21% no valor FOB importado – e pode ter ficado inviável pelo preço atual, expondo massivamente espécies similares secas e salgadas nas gôndolas.
“Outros azeites” (NCM: 15099090) sofreram queda de -32% no valor FOB importado, enquanto o azeite extra virgem (NCM:15092000) manteve resiliência (0,6%).
É possível o entendimento dos varejistas que o público prefere prêmio por superioridade ou migra para óleos vegetais básicos, esvaziando intermediários refinados.
O crescimento de 45% no bacalhau em salmoura reflete uso estratégico para preços de face menores no quilo, mantendo o produto na cesta sem afastar consumidores impactados pela inflação.
| NCM | Descrição | FOB 2025 (US$) | FOB 2026 (US$) | Variação (%) |
|---|---|---|---|---|
| 15092000 | Azeite de oliva extra virgem | 68.023.409 | 68.426.085 | +0,59% |
| 15099090 | Outros azeites de oliva | 9.418.412 | 6.358.834 | -32,49% |
| 20057000 | Azeitonas preparadas | 16.375.081 | 16.134.413 | -1,47% |
| 03055100 | Bacalhau Gadus seco | 6.730.585 | 5.307.969 | -21,14% |
| 03056200 | Bacalhau salgado em salmoura | 2.932.300 | 4.256.969 | +45,18% |
| 03036300 | Bacalhau congelado inteiro | 10.006.460 | 4.069.012 | -59,34% |
| 03047100 | Filés de bacalhau congelado | 1.888.432 | 771.737 | -59,13% |
| 03055310 | Pescados secos (Saithe etc.) | 16.601.866 | 20.163.610 | +21,45% |
| 03053210 | Filés de bacalhau secos/salg. | 3.552.019 | 3.156.874 | -11,12% |
| TOTAL | Consolidado analisado | 135.528.564 | 128.645.503 | -5,08% |
A Páscoa 2026 consolida a maturidade estratégica do comércio exterior brasileiro diante de choques de custo.
O mercado manteve aporte financeiro estável, mas mudou completamente a composição da oferta. Nas pescas, o Saithe e bacalhau salmoura (+21% e +45%) substituíram o bacalhau tipo Gadus premium.
Em relação ao cacau, a manteiga de cacau importada colapsou (-99,98%), mas as importações do cacau em pó cresceram (+8,8%), reduzindo dependência externa apesar da Costa do Marfim dominar 99,9% do cacau bruto.
Sucesso dependerá de logística eficiente em Santa Catarina/São Paulo e gestão de risco no cacau via produção nacional emergente.