O tarifaço piorou o déficit americano, e o Brasil respondeu exportando mais carne, mais algodão e menos para os EUA

9 de julho de 2026

O tarifaço piorou o déficit americano, e o Brasil respondeu exportando mais carne, mais algodão e menos para os EUA
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A participação dos EUA no comércio exterior brasileiro caiu para o menor nível histórico da série, que remonta a 1997. No primeiro semestre de 2026, os americanos responderam por apenas 9,4% das exportações brasileiras e por 11,1% da corrente de comércio, com a corrente bilateral encolhendo 12,8%, para US$ 36,4 bilhões. Enquanto as vendas ao mercado americano caíam 13%, China e União Europeia avançaram 21,9% e 12,8%, respectivamente.

O reposicionamento brasileiro encontra confirmação nos recordes do agro. O algodão encerrou junho com o maior volume mensal de exportação da série histórica: 217 mil toneladas, alta de 63,4%, com receita de US$ 350,6 milhões. Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã absorveram 71,1% dos embarques, consolidando Ásia e Oriente Médio como destino central da pluma brasileira.

A carne bovina seguiu o mesmo caminho. Junho registrou 317,3 mil toneladas exportadas, o maior volume mensal da série histórica, com receita de US$ 1,975 bilhão e alta de 38,1%. O acumulado do primeiro semestre chegou a 1,705 milhão de toneladas e US$ 9,85 bilhões, ambos recordes históricos para o período.

Do outro lado, o tarifaço americano não produziu o efeito prometido. Em maio de 2026, o déficit comercial dos EUA disparou 42,2% ante o mês anterior, para US$ 77,6 bilhões, com exportações caindo 3,2% e importações subindo 3,3%. A política protecionista não reequilibrou o saldo americano. Na prática, acelerou a dependência dos EUA de fornecedores asiáticos, na direção oposta ao argumento original das tarifas.


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