A escalada no Oriente Médio e a crise no Irã reacende alerta sobre cadeias de suprimento. Embora represente menos de 1% das exportações totais, o Irã comprou US$ 3 bilhões em produtos agrícolas brasileiros em 2025, com milho respondendo por 67,9% e soja 19,3%. Maior preocupação: ureia iraniana. O país é fornecedor crítico de fertilizante nitrogenado, e conflito pressiona preços do petróleo, encarecendo diesel e insumos.
O cenário geopolítico impõe restrições operacionais severas. A Maersk, maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, suspendeu todo trânsito pelo Estreito de Ormuz “até novo aviso”, citando deterioração da situação. Cerca de 150 petroleiros estão ancorados no Golfo, incapazes de atravessar o ponto estratégico. Um petroleiro começou a afundar após ser atingido.
O aumento tarifário poupa maioria dos consumidores. Governo elevou imposto de importação de celulares de 16% para 20%, com alíquota podendo chegar a 23,2%. Porém, 95% dos smartphones vendidos no Brasil são montados localmente, escapando do impacto direto. Apenas Xiaomi é afetada, por não montar no país. Apple, Samsung e Motorola montam aqui com taxa zero.
Frutas secas enfrentam restrição logística. O Irã anunciou proibição de todas as exportações de alimentos e produtos agrícolas, priorizando abastecimento interno durante conflito. Pistache iraniano domina 70% das importações brasileiras desse item, com 422,6 toneladas compradas em 2025 (71% acima do ano anterior).
Transporte marítimo segue como eixo estratégico nacional. A cabotagem na Região Sul encerrou 2025 com 33,6 milhões de toneladas movimentadas, crescimento de 1,38% em relação a 2024. Santa Catarina liderou com 19,6 milhões de toneladas, seguida pelo Rio Grande do Sul (9,6 mi) e Paraná (4,4 mi). Principais cargas: petróleo (17,2 mi toneladas), contêineres (10 mi) e derivados (3 mi).
