Por que o Brasil está de olho no Vietnã?

2 de abril de 2025

Por que o Brasil está de olho no Vietnã?
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Em missão oficial a Hanói, o governo brasileiro celebrou os 35 anos de relações diplomáticas com o Vietnã com foco em expandir o comércio bilateral e destravar barreiras sanitárias que ainda limitam a entrada de produtos agropecuários brasileiros. O encontro marca um novo momento na relação entre os países, especialmente após o crescimento expressivo da corrente de comércio.

Em 2024, as exportações brasileiras para o Vietnã totalizaram US$ 4,06 bilhões, com um volume superior a 9,36 milhões de toneladas, de acordo com dados da plataforma Logcomex. O Vietnã já figura como o 5º principal destino das exportações brasileiras na Ásia, atrás apenas de China, Japão, Índia e Coreia do Sul.

Produtos como milho (4,7 mi t), algodão (539 mil t), soja (1 mi t) e celulose lideraram os embarques, enquanto o governo brasileiro busca ampliar a pauta com carnes bovina, suína e de frango, além de frutas frescas, que ainda enfrentam entraves fitossanitários.

Do lado das importações, o Brasil trouxe do Vietnã cerca de US$ 3,64 bilhões em mercadorias, totalizando 575 mil toneladas. Os principais itens foram componentes eletrônicos, pneus, pescados congelados, calçados e semicondutores. O destaque logístico ficou com o modal aéreo (51,5%), que superou o marítimo (48,4%) nas operações em valor FOB — um indicativo do alto valor agregado dos produtos vietnamitas.

A missão contou com reuniões entre o MDIC e autoridades vietnamitas, além de encontros com empresas dos dois países. Entre os temas discutidos estiveram facilitação de comércio, integração logística e cooperação técnica em áreas como agricultura, tecnologia e comércio digital.

O Brasil também sinalizou interesse em importar mais produtos industrializados vietnamitas, buscando equilíbrio na balança comercial e maior presença de empresas brasileiras no Sudeste Asiático. O apoio vietnamita à candidatura do Brasil à OCDE também foi mencionado, fortalecendo o alinhamento diplomático.

A visita faz parte da estratégia brasileira de diversificação de mercados e fortalecimento de parcerias na Ásia, num cenário global de mudanças nas cadeias de suprimento e tensões geopolíticas.


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